Bem vindo ao nosso Quintal!

A permacultura e as manifestações da cultura popular são os eixos principais do nosso projeto, aliado à formação, à cultura e a comunicação. Através de encontros que batizamos com o nome de Confrarias, histórias de vida serão contadas pelos mais velhos que moram na comunidade e os contadores de histórias que revelam a identidade e história do nosso povo; encontros poéticos onde a dança, poesia e cantigas de roda poderão ser compartilhadas e artesanato com elementos ofertados pela natureza.
A permacultura será o elo principal entre o homem e a natureza, essas descobertas evidenciarão que é possível a comunidade entrelaçar a cultura do caboclo, do índio e do seresteiro com o espaço urbano. Esse conhecimento ancestral permitirá a todos envolvidos um contato mais íntimo com a terra, o verde e a memória dos moradores do território que lutam pela preservação da cultura local.



Nosso projeto justifica-se nas ações que desenvolvemos com permacultura, brincadeiras com as crianças e noites de fogueiras com moradores mais velhos da Vila Sapo na Baixa Grande. A aproximadamente quatro anos atuamos neste local com a perspectiva de transformação e preservação da cultura local, pois na comunidade há uma riqueza de conhecimentos voltados ao plantio, aos saberes das plantas medicinais, o desejo de ter um ambiente natural e esteticamente belo para convivência da comunidade local, que é negligenciada no que se refere a espaços de interação cultural e de saneamento básico. O projeto Quintal da Eunice foi batizado pelos próprios moradores da comunidade devido o espaço utilizado ser em área da Escola Estadual Eunice Therezinha de Oliveira Fragoas, que concedeu o direito de uso para a comunidade para seu lazer e convivência.
Atualmente o espaço já tem algumas ações em andamento – como a ampliação de uma horta com plantas medicinais e temperos, uma pequena estrada feita com pneus para melhorar a acessibilidade ao local e por fim promoção de oficinas de construção de brinquedos com bambu e de barro e brincadeiras ao ar livre com as crianças. E uma vez ao mês temos os encontros de causos e serestas feito por alguns moradores em volta da fogueira, é fato que ainda há uma grande atuação do” poder paralelo” no local, e o espaço acaba sendo rota para o tráfico de drogas, mas observamos que devido ao grande movimento de crianças e idosos esse fator tem diminuído e a cada dia estamos ganhando espaço. Não tem sido um processo fácil, pois não contamos com nenhum apoio e o material para trabalhar com a terra e plantio tem um custo um pouco elevado, algo que nos impede de progredir.
Os nossos encontros em volta da fogueira e o brincar com a natureza tem nos dados grande prazer, nos motiva a continuar na luta por um espaço possível de convivência e riquezas da terra que não desistimos de lutar.
A relação com a natureza e as manifestações culturais tem que ser tomada como elemento para o diálogo intergeracional, valorizando as experiências individuais e coletivas e, principalmente, as lembranças “escondidas” que muitas vezes representam histórias de dominação, verdadeiros “tesouros” na construção e afirmação de identidades. Essas descobertas poderão estimular novas formas de relações e apropriações de novos sentidos e valores. Dessa forma, o projeto objetiva também colocar “focos de luz” em pessoas e fatos que têm grande significado na história do território, mas se encontram no anonimato.